Construção em encosta e muros de suporte
Famões, Caneças e a Ramada desenvolvem-se em terreno acidentado, e boa parte da construção assenta em plataformas escavadas com muros de suporte de terras. Quando esses muros foram executados sem sistema de drenagem — o que é a regra e não a exceção — acumulam pressão hidrostática no inverno e manifestam abaulamento, fissuração vertical e inclinação progressiva. É a patologia com maior potencial de dano grave no concelho, e a que mais frequentemente envolve responsabilidade perante propriedade confinante.
Infiltrações em caves e pisos enterrados
Associada à anterior: em construção implantada em encosta, o piso enterrado fica encostado ao terreno em parte do perímetro. Sem impermeabilização de tardoz e sem drenagem periférica, o resultado é humidade persistente em garagens e arrecadações, com eflorescências, degradação de rebocos e corrosão de armaduras a médio prazo. Distinguir infiltração lateral de humidade ascensional muda por completo a solução — e o custo.
Áreas de génese ilegal em reconversão
O concelho tem uma extensão significativa de áreas nascidas fora de processo de licenciamento e hoje em reconversão urbanística. Estes processos exigem peças técnicas sobre construção já edificada: verificação estrutural do existente, avaliação do estado de conservação e, por vezes, projeto de estabilidade elaborado a posteriori. É trabalho de diagnóstico antes de ser trabalho de projeto.
Condomínios dos anos 80 e 90
Na cidade de Odivelas, na Pontinha e na Póvoa de Santo Adrião, o parque de habitação coletiva dessa geração chegou à idade em que impermeabilizações de cobertura e revestimentos de fachada terminam a vida útil ao mesmo tempo. A discussão que se segue é quase sempre a mesma: parte comum ou fração, e quem paga.