Ver uma fissura a surgir numa parede é quase sempre motivo de inquietação. Mas é importante perceber que as paredes fissuram por muitos motivos, e a grande maioria das fissuras não representa qualquer risco para a segurança do edifício.
A maioria das fissuras é superficial
Os materiais de construção movem-se: dilatam e contraem com as variações de temperatura e humidade, e os rebocos sofrem retração durante a secagem. Daí resultam fissuras finas e estáveis, normalmente com menos de 1 mm de largura, que aparecem no reboco ou na pintura e não comprometem a estrutura. São as mais frequentes e, regra geral, apenas uma questão estética.
Quando uma fissura é sinal de alerta
Há, porém, características que merecem atenção e que podem indicar movimentos estruturais — por exemplo, assentamentos das fundações. Deve preocupar-se sobretudo quando observa:
- Fissuras largas (acima de 2 a 3 mm) ou que se vão alargando com o tempo;
- Fissuras inclinadas a cerca de 45º, em especial junto aos cantos de portas e janelas;
- Fissuras "em escada", a acompanhar as juntas dos blocos ou tijolos;
- Fissuras que atravessam a parede de um lado ao outro;
- Fissuras acompanhadas de portas ou janelas que encravam, pavimentos inclinados ou desníveis.
O que observar e registar
Antes de tirar conclusões, recolha informação. Fotografe a fissura com referência de data, meça a sua largura no ponto mais aberto e marque as extremidades a lápis — assim consegue perceber, ao longo de semanas, se ela está a crescer ou estabilizada. Repare também se existe um padrão e se há mais fissuras semelhantes pela casa.
Quando chamar um engenheiro
Se a fissura é larga, inclinada, em escada, atravessa a parede, está a crescer, ou se surge com outros sinais como portas a encravar, vale a pena uma avaliação técnica. Uma peritagem permite identificar a causa, distinguir o que é estético do que é estrutural e avaliar o risco com segurança — algo que uma simples observação não consegue garantir.